Três Rios.

São três rios: o terceiro provavelmente desague no mar e fuja, o segundo, porém, meu vizinho, está perto demais mas suas águas não se misturam com as do meu; sua margem é outra, mas posso sentir seu cheiro, e ainda avistar as aves que vem tentar a sorte com algum plâncton mal avisado...
O terceiro me tenta, chega próximo demais, suas águas são quentes, sua hálito é bom, seu oxigênio me embebeda, seu curso me deseja, ele não diz, mas sei que poderá chegar a hora da inevitável confluência, e não terei mais o que fazer quando suas águas já tomarem posse de meu leito.
Enquanto ele me espreita, continuo a sentir o cheiro do meu vizinho, tão perto... Por que não lança suas águas sobre esses pequenos cílios e vem se permitir em meu talvegue? Porém, não desejo que se assuste; não quero que se afaste mais ainda de minhas margens; apenas permita-me continuar a sentir. Não gosto, de fato, das aves que vão até ti. Não gosto delas, não gosto que te espreitem e desejem teus peixes, tua vida, teu ar.
Poderia continuar olhando apenas, sentindo, admirando teu arco íris quando a umidade aumenta. Poderia ficar aqui até o sol desejar me levar com ele, porém, tenho medo de que minha espera não seja suficiente, mas sinceramente? Persiste a esperança que ele (o sol) leve um pouquinho de ti também, e nos encontremos em outro lugar, não mais da mesma forma, não mais com os mesmos cheiros, mas ainda assim seriamos nós; ainda restaria a essência.
Se assim fosse, então não precisaria mais te espreitar depois dos cílios, poderia olhar diretamente, aquele terceiro rio não mais em embebedaria já que o teu ar seria suficiente para não haver mais espaço para outro, se quer para esse desejo.
                                                                                                                                                        15/08/2011

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