Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Três Rios.

São três rios: o terceiro provavelmente desague no mar e fuja, o segundo, porém, meu vizinho, está perto demais mas suas águas não se misturam com as do meu; sua margem é outra, mas posso sentir seu cheiro, e ainda avistar as aves que vem tentar a sorte com algum plâncton mal avisado...
O terceiro me tenta, chega próximo demais, suas águas são quentes, sua hálito é bom, seu oxigênio me embebeda, seu curso me deseja, ele não diz, mas sei que poderá chegar a hora da inevitável confluência, e não terei mais o que fazer quando suas águas já tomarem posse de meu leito.
Enquanto ele me espreita, continuo a sentir o cheiro do meu vizinho, tão perto... Por que não lança suas águas sobre esses pequenos cílios e vem se permitir em meu talvegue? Porém, não desejo que se assuste; não quero que se afaste mais ainda de minhas margens; apenas permita-me continuar a sentir. Não gosto, de fato, das aves que vão até ti. Não gosto delas, não gosto que te espreitem e desejem teus peixes, tua vida, teu ar.
Poderia continuar olhando apenas, sentindo, admirando teu arco íris quando a umidade aumenta. Poderia ficar aqui até o sol desejar me levar com ele, porém, tenho medo de que minha espera não seja suficiente, mas sinceramente? Persiste a esperança que ele (o sol) leve um pouquinho de ti também, e nos encontremos em outro lugar, não mais da mesma forma, não mais com os mesmos cheiros, mas ainda assim seriamos nós; ainda restaria a essência.
Se assim fosse, então não precisaria mais te espreitar depois dos cílios, poderia olhar diretamente, aquele terceiro rio não mais em embebedaria já que o teu ar seria suficiente para não haver mais espaço para outro, se quer para esse desejo.
                                                                                                                                                        15/08/2011

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