Justifique:


Porque eu olho por meio século para algo novo que faço, que gosto.
Porque detém minha atenção até a satisfação total, até a obsolescência total-ou não.
Porque tudo que gosto me prende; porque nem tudo que tenho me prende.
Porque vivo temendo escolhas e as faço tão inconsciente quanto pulsa meu coração (e isso me conforta numa dimensão tamanha que não sou capaz de determinar).
Porque o que eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu.
Porque quem eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu.
Porque não só a memória, mas a vida seleciona para sobreviver-por inteligência.
Porque gavetas amarrotadas de papéis amassados são inúteis-pra isso servem os trituradores de papel.
Porque ao passo que me desfaço de recordações, factuais ou fantásticas, algo me lembra de que havia uma cópia na escrivaninha ao lado, da qual não me recordava.
Porque nem sempre trituro as cópias encontradas depois, nada é por acaso, afinal.
Porque em meio ao que me lembra lágrimas, sorrisos aparecem.
Porque não sei mais o que justifico.
Porque não lembro mais qual a pergunta.
Nem sei mais se havia pergunta.
Mas havia algo:
Uma cascata de ideias com necessidade de ser registrada.

Um orvalho: Tremo pelo frio; sorrio porque é belo.
                                                                                                                                              31/10/11

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