Quem sabe não estou desenhando...


Desenharia se soubesse fazer mais que cópias, portanto escrevo.
Mas, se você considerar que releituras nada mais são do que escrever o mesmo que antes usando palavras que não foram ditas, talvez meus textos também sejam cópias, cópias da minha vida (uma tela inacabada num canto que visito sempre que acordo- ou mesmo antes).
Talvez ainda, esteja desenhando de fato, não com traços nem cores, apenas palavras.
Mas cá entre nós, escrever é como um desenho infinito: Sua cena sempre será diferente da minha e do outro que lê posteriormente, ou mesmo daquele que leu antes de você (seus morangos não serão tão vermelhos quanto os meus; minha casa não será tão grande quanto a sua).
E assim, não só eu estarei desenhando, você também o estará- com os olhos, certamente (o que pode ver agora?).
Ainda, não há como copiar um pensamento: Sua cena, só você verá. Será original, portanto, será sua somente.
Sua aquarela não possuirá as mesmas cores da minha; sua tela não terá o mesmo tom; seu avental não terá as mesmas manchas; o pincel também será diferente (consegue contornar os cantos sem borrar?).
Leia e componha seu quadro comigo (visite-me).

Não há motivos para medos. Vá ao porão e abra a porta somente para quem desejar que pincele com você.

  ~ Qual imagem você vê agora?

                                                                          29/10/11

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