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Mostrando postagens de Novembro, 2011

Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

O pincel está respingado de tinta, mais uma vez.

Se eu te contar com todas as palavras aquilo que aqui digo, talvez tu não te contentes tanto, não disponibilize tempo para ouvir o que tentarei balbuciar aos pés de teu ouvido. Mas então, tu me perguntas: “E como mais tu dizes se não com todas as palavras?”. Com imagens. Quantas cenas já passaram em tua mente desde que passou por esses pequenos cômodos? Quantos sabores tu empregaste para torta tão esperada no forno ou as rosas nunca murchas postas ao lado do parapeito? Pois te digo como quem sabe por onde andas: Se todas as palavras fossem ditas e não te restasse a dúvida, teu interesse não seria o mesmo. Desejas uma ilustração?  Quem tem um sol amarelo num desenho, tem um sol amarelo num desenho e nada mais que seja intrigante. Quem tem um sol num desenho, tem um sol amarelo, laranja, vermelho... Ou mesmo sem brilho, para os dias nublados. Tu moldas aquilo que digo pois, tua sensação, teu sentimento convivem com minhas palavras e as fazem mais tuas do que propriamente minhas quando…

Sem nuvens, sem ressaca: Meu Desejo.

Uma nuvem tem aparecido no céu. Posso vê-la pelo reflexo de alguns olhos próximos, olhos que não desejo ver também a chuva refletir, mas esse poder não compete a mim, escorre por entre meus dedos, pois não cabe em minhas mãos. Sim, que seja passageira, que se espalhe e não mais adie o sol que deseja tanto aparecer, que tanto deseja iluminar, que tanto deseja refletir nesses mesmos olhos, seus raios. Que eu possa ver, também, brotar um sorriso, aquele escondido da sombra e de toda lágrima triste que pudesse acompanha-lo. Desejo tanto vê-lo. Não. Desejo vê-los, pois não apenas uma boca merece-o. Conheço lábios que o projetariam com tamanha beleza que seria um ultraje adiá-lo. Conheço olhos que refletiriam tão bem a luz que, seriam capazes de iluminar toda uma estação guiando aqueles que ainda possuem nuvens sobre si como que fossem capazes, não de extingui-las, mas fazerem delas menos acinzentadas. Gosto tanto desses olhos e como olham para mim que dói a lembrança de um futuro sem tai…

Deseja uma rosa? Ofereço também um livro para que, depois de murcha, lá permaneça em segredo.

Um caminho com balaços e muito algodão doce. Ah como quero balanços... Para olhar lá de cima até onde cheguei; para que lá de cima possa tocar nuvens e trazê-las como uma chuva doce (como um sorvete que derrete pelas mãos quando você não consegue contê-lo na casquinha restando apenas mãos e lábios de um colorido mágico que te faz devorar todo aquele sabor como quem não quer perder nem a ultima gota). Ah... A ultima gota, tão disputada mesmo não tão gelada mais. Quero gotas pelo chão. Um caminho para que aquele capaz de sentir o aroma, aquele que também deseje doces nuvens possa me encontrar (mas apenas esses servirão, apenas esses serão capazes de me acompanhar ou mesmo de um dia visitar-me sem fugir). Não desejo os realistas demasiados que riem de meu caminho por considerarem-se maduros demais para ele. O deformam e fazem-me achar mais perdida do que realmente estou (esses entrarão em fuga na primeira oportunidade). Deles estou cheia e prefiro que se mantenham longe de meus jardins …

Num calabouço de olhos abertos. Num cinema de óculos escuros.

A cada dia, mais falta sinto, mas tem dia que nada sinto e tudo parece como antes. Tem dia que volto ao passado, recordo os fatos e preencho-me com uma glória que já se foi. Tem dia que agradeço por não ser mais como antes, por não ter como antes aquele imenso vazio. Já outros, brigo com o presente por não ter o sucesso da falta de necessidade do que hoje conheci. Brigo comigo por ter me permitido e agora saber o que quero e mesmo assim não poder. Não mais é tão fácil, não mais é tão prático dizer não e fechar os olhos para o que se passa em minha frente. Devo renunciar, tenho que me concentrar no que agora interessa, já que agora tenho pressa (essa que antes não havia). Não havia tão intensa; não a via com frequência: Numa semana talvez, mais que de mês em mês. Não desejava rimar pobre ou ricamente, pois é triste o que se sente quando se pensa no que já não se tem. Mas é difícil evitar quando surge a ideia e o medo de perdê-la te faz registrar. Sem melodias ou ritmo vou escrevendo e…