Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Brincadeiras do relógio.

Abre os olhos. Alguns passos à dentro. Bate a porta. Um único barulho. Voltou a sentir o hálito dela, seus lábios. Nem mesmo o morango mordido fazia mais parte de seu campo visual. Nada mais além daquele imenso universo de sensações. A reciprocidade se fez. As luzes foram apagadas. Tudo parecia mais claro agora. Ele entendia. Ela respondia. Eles conversavam.
Acordou como quem levanta por culpa de um sonho bom. Não fazia ideia das horas. Tudo parecia tão recente. Tudo parecia tão eterno. Olhou para o lado procurando um vazio inexistente. Um vazio conhecido, costumeiro, porém, inexistente naquela manhã. Ainda tonto, decide por esfregar os olhos e bocejar até acordar de fato e conceber a realidade da felicidade presente.
Avistou morangos ao nível de seus pés, não se lembrava deles ali. Mas não importava a origem, estavam ali e bastava. Alcançou-os. Trouxe para si. Um cafuné prolongado. Um bocejo. Espreguiçada – Bom dia!- um sorriso. Dois sorrisos, agora. Por terceiro apenas um, como dois, mas apenas um se fez.
Pareciam horas. Pareciam segundos, como uma câmera lenta que acelera tudo. Devagar por desejar cada minuto. Veloz pelo tempo não respeitar esse desejo e correr até não mais poder ser alcançado. Como quem deseja eternizar aquele momento, como quem sente um poder incrível retira, como um tolo, as baterias do relógio. Jamais seria um Deus. Mas não importava, não haveria horas para limitar o que sentia. Voltou a não enxergar mais um palmo a sua frente.
                                                                                                                                                         04/12/11

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