Degraus e pincel.


Em mãos aquarela e pincel. Na tela alguns pontos e pronto: Beijos respingados de tinta, avental manchado e nada mais a fazer quando a orquestra começa. Nem todos ouvem o que se passa, não há violinos, violoncelos ou mesmo um piano; não há maestro ou partitura: A tela faz sua melodia, os acordes se moldam e apenas os de avental borrado escutam.
Há uma fragrância, mas não há flores; sabor, mas não há morangos; calor, mas não há sol. Não há tempo nem relógio. Sobram pingos de tinta, sobram risos.
Primeiro: Um furto, um registro e passos largos, eufóricos atrás da prova.
Segundo: Uma permissão, não mais fotos, ainda fuga.
O tempo se aproxima do fim, a tela não parece completa, mas há uma encomenda e essa tem prazo determinado.
A orquestra para.
As fragrâncias cessam.
Os passos ecoam no corredor.

    Restam os degraus: Testemunhas da verdadeira concretização sinestésica.

                                                                                                                   20/09/2011
                                                                                                                            22h 34 min.

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