Dúvida, despedida, imposição: Uma Lua, dois Amantes.

Olhos abertos. Lembram-se de que não estão a sós.
- Irmão, uma ajuda aqui?
Uma voz ao longe, perto ao mesmo tempo.
- C claro
Ela sorri. Ele vai ao encontro do pedido de ajuda. Pegariam mais peixes para assar.
- Asa delta?
- Como?
- Quando vocês se conheceram... Numa pista de Asa delta?
Testa franzida.
- Sim, por quê?
O recente desconhecido abaixa a cabeça como quem disfarça um sorriso
- Desculpe, mas ela falou de um jeito que...
- Que o quê?
- Deixa pra lá... Então, ajuda-me com os peixes, aqui?
Podia-se ver uma interrogação no rosto dele. Outra interpretação. Uma apropriação das palavras dela. Ele continuou achando aquele papo muito esquisito, mas não pretendia leva-lo a diante.
Eles chegam à fogueira. A noite não tardaria a cair, mas os dois casais continuariam por algumas horas a mais. Eles, porém, iriam mais cedo. Não esperariam a lua no alto do céu, essa já ameaçava contornos. Moravam a um relativo tempo dali. Aquela tarde tão grandiosa chegara ao final e depois de lágrimas cristalinas, sorrisos e mesmo um abraço mais forte, estavam prestes a voltar pra casa, poderiam estar de volta num próximo fim de semana. Tarde essa que de tão inesperada tornou-se rememorável – literalmente diante das retrospectivas feitas.
- Então pessoal, já vamos.
- Não, não, esperem o próximo peixe.
Um segundo pedido do mesmo feitor do primeiro.
- É muita gentileza, mas não queremos pegar a estrada tão tarde. Mas devo dizer essa tarde foi surpreendente.
Ele sorri ao vê-la falar. Completa-a.
- Com certeza! Intensa também. Obrigada pela boa recepção, mas estamos de partida.
- Tudo bem, quem sabe num outro fim de semana nós assamos mais alguns peixes?
- Sim, sim quem sabe?
Uma combinação de abraços. Acenos. Partiram para o carro. A lua já aparecia crescendo no horizonte. Crescendo como se algo não estivesse a nascer, mas prosperar. Um desenho. Um símbolo. Uma promessa: Uma boa promessa, daquelas que a gente acredita, se envolve. Uma chave, talvez, fechando aquele dia, agora noite. Podia-se ver o reflexo dela nos olhos deles. Quase próximos ao carro, descalços, sentindo a grama fria por entre seus dedos, sendo iluminados pelo satélite. O frio do começo de noite perdia espaço para o calor dos dois corpos juntos à procura do equilíbrio térmico. À procura de braços. De pele. De nada. Não era necessário procurar. Estavam ali, ambos. Pairados, de olhos no alto. Sentindo-se mutualmente. Não sentindo seus pensamentos. Não se importando com pensamentos. A lua em perfeitos contornos (O que não iriam esperar acontecer chegou sem que eles percebessem, sem que ao menos pudessem controlar) pairou sobre suas cabeças impondo-se. Assim eles permaneceram: Sem frio, calor ou sede: Completos.

                                                                                                                                             10/01/12

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