Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Fez-se despertar.


Pode-se dizer que ela sentia-se determinada a ajudá-lo.
Ele destrambelhado; ela com as maçãs suspensas não querendo sorrir.
Ela determinada. Por amizade, afinal se ele gostava de sua amada ela poderia ajudá-lo, por que não?
Ele tenta se aproximar... Expansivo demais, ela o reprime.
- Não a conquistará sendo tão invasivo, seja calmo e intenso.
- Como?
- Seja ousado, surpreenda-a, mas não a afaste. Seja interessante, não dê todas as cartas.
Ele tenta um olhar fatal.
- Você quer ser engraçado ou encantá-la?
- Poxa...
- Roube-me um beijo.
- Como?
Ele não acredita em seus ouvidos.
- Tente um beijo meu.
Ele se convence do que ouviu; ela se convence que ele não conseguirá.
Ele se aproxima, olha fixamente, pensa no pescoço, lembra-se da advertência, decide pelos ombros, chega mais perto, deixa sua respiração tocá-la, torna olhá-la, sua respiração cada vez mais próxima, ele pode sentir o hálito dela, ela pode ouvir os batimentos dele, ela fecha os olhos, um milhão de coisas pela cabeça dele, suas mãos antes nos ombros dela agora sobem para nuca, ele fecha os olhos-ainda pode vê-la- a ansiedade a toma- Ele conseguirá?- Ele treme, ele abre os olhos, ele recua. Ela não sente mais a respiração dele. Ela não sente mais as mãos dele em sua nuca. Ela abre os olhos. Ela o avista. Ela não entende. O Silêncio também não palpita. Ele pega o guardanapo na mesa e começa a mexer, amassá-lo, talvez. Ela se refaz e admite o fracasso de seu aluno. Ele estende as mãos: Uma rosa e um papel escrito. Ela recebe e não enxerga mais nada. Percebe os traços. Olha para o lado: Uma cadeira vazia.
- Para onde ele terá ido?
Ela tenta descobrir. Não ouviu passos, nem a cadeira arrastando. Estava com os olhos fixos no guardanapo “amassado”. Ela encontra os rabiscos: “Desculpe, não posso. Talvez um dia diga que a amo. Talvez um dia entregue uma rosa e fuja para não encarar seus olhos.”.
Não há falas, reclamações ou mesmo uma indagação. Nada se ouve na sacada onde eles se encontravam. Um rubor, um olhar perdido. Sem sussurros.
27/09 - 18/10 – 20/10 – 17/11

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