Malícia

Ela aparece como quem esconde um segredo, estende as mãos. Depois da recepção sai como quem foge de um pecado, como se mordesse a maçã do Ébano.
Agora é sua vez de deixa-lo atordoado.
Ler-se: “Os morangos não acabaram”.
Passos. Perseguição. Silêncio como se ambos flutuassem. Todos ouvem as firmes passadas no chão.
Chega-se a algum lugar. Uma porta bate, ele não foi rápido o suficiente. Agora há de fato a falta dos ecos. Nem mesmo os vultos podem ouvir algo. Nem mesmo se eles estivessem ali. Ninguém mais. Apenas ele e a porta (Sabe-se quantos universos atrás dela). Sua mente desenha mais de 15 dimensões. Mas ele precisa de provas, prefere não idealizar. Ela demora mesmo qualquer suspiro que possa dar pistas. Os universos continuam permeando a mente dele.
Um rangido. Uma presença.
Agora ela estende as mãos. Atônito ele tentaria balbuciar algo se seus lábios se movessem, mesmo sem entender o porquê da repentina paralisia depois de toda perseguição. Ela suspende a mão como uma bandeja, ao nível dos olhos dela, ao nível do lábio superior dele. Olhos fixos nele.
Um morango.
Ele observa melhor:
Uma mordida.
Ela fixa os olhos nele:
Agora é minha vez de te surpreender.
Ele não enxerga mais um palmo a frente.
                                                                                                                                                       21.11.11

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