Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Sem rítmo ou cachos: Absurdamente felizes!


Ainda havia uma cama. Um criado mudo. Peças pelo chão. Uma bandeja. Havia dois, houve um, agora novamente dois. Olhos abertos. Luzes acesas, em verdade claridade de fora. Sem testemunhas. Sem sonhos, apenas a realidade de algumas horas atrás.
De pé. Ainda caricias (sempre). Chuveiro como uma cascata, como se a água não viesse de um tanque, mas de um profundo rio, caudaloso e sem peixes. Ele, ainda sentado na cama, ouvia-a cantarolar no banheiro, tão desafinada quanto feliz. Uma canção que nunca o ensurdeceria, o agradava mais do que qualquer solo de piano. Nenhum show na Broadway seria capaz de superá-la.
Minutos.
Agora sentia a força com a qual aquela cascata desmanchava seus cachos enquanto ela, já vestida, procurava sua bolsa atrás de um desodorante, sem mesmo saber se havia algum por ali. Encontrou um dele debaixo da cama, decide por usá-lo. Embebida por aquele perfume pôde agora ouvi-lo cantarolar embaixo do chuveiro. Sem tanta emoção, porém, tão afogado quanto ela naquelas águas sem fim. Sem fim por 10 min.
Ela de costas. Ele de toalha. Um abraço molhado. Um susto mudo. Ela sentia aqueles cachos desmanchados em sem pescoço, pingos a deslizarem sobre seus ombros. Perguntava-se como cada segundo ali poderia ser narrado de forma poética- caso ela conseguisse pensar em uma forma de transformá-los em palavras, como se isso fosse possível.
Ele veste-se, depois de afastar-se e deixa-la pensando em poesias, perdida na realidade, embebida, desconcentrada nos cabelos que penteava antes dele se aproximar (agora ela embaraçava-os mais do que o contrário).
Ele toma o pente das mãos dela. Poderiam ficar ali por horas. Ficariam ali por horas se não fosse o estômago vazio e a necessidade de preenchê-lo. Não faziam ideia das horas. O relógio parado, os ponteiros não se moviam desde que o tempo deixou de importar, mas o sol já denunciara o dia nascido e eles já haviam decidido por descer e saciar uma necessidade fisiológica, não por desejo, apenas por necessidade.
Mesas, cadeiras, sem muitos pedidos mais, já era tarde para o café da manhã, mas não para eles. Encontravam-se do outro lado da rua, duas xícaras de cappuccino, alguns cookies e pãezinhos de mel ao alcance de suas mãos. Satisfaziam-se euforicamente. Tudo havia acontecido de repente, depois de um bilhete e ali estavam, no dia seguinte, ainda bêbados. Sem ponderarem, sem se importarem com ponderações. Não sabiam até quando iria durar, o tempo já havia deixado de mandar desde que suas pilhas foram retiradas.
Pagaram a conta. Foram até a casa dele que ainda vestia roupas do irmão dela. Lá a troca necessária foi feita e agora sim, podiam decidir o que fazer.

29/12/11 – 30/12/11

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