Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Direito de posse.


Agora são Longos-curtos. E assim se fazem: Como degraus, subindo até a franja; em camadas que descem como ondas por minhas costas, fazendo cócegas, quase beijos. No espelho, tenho variadas versões agora: Posso deleitar-me com seu pouco comprimento esse, que por falta de coragem, há tempos não aprecio. Posso voltar à visão de suas longas mechas ainda presentes, depois de olhar de outro ângulo.
Há tempos não os modificava. Há tempos suas pontas, como secas folhas, tiravam seu acabamento, não permitiam o toque final, davam trabalho e não me satisfaziam. A franja já não era franja, mas sim algo que se perdeu no tempo tornando-se dúvida, como aquele que perde o rumo e, por não saber mais aonde vai, aceita qualquer definição, qualquer uma que o faça sentir ainda vivo.  Definiram-na como “franjão” e ela aceitou, pois, já perdida, se satisfazia com alguma caracterização ainda possível.
Sem curvas já estavam ficando. Sem formato. Sem definição. Não foi aparado, retocado, cuidado e assim o exagero o tomou e cresceu desregradamente. Também muito foi puxado: Pra um lado, pro outro, pra aquele que satisfizesse a vontade de quem o alcançasse, de quem dele tomasse posse. Foi preso, como culpado por um crime, sem pena, mesmo se rebelando. E se rebelou: Pra cima, para os lados, mesmo quando seus fios eram quebrados (principalmente quando seus fios eram quebrados).
Mas agora posso dizer que o passado se esvaiu e a penitência não há mais. Mais agradáveis e com mais motivos para sorrir, eles permitem-me horas em frente ao espelho. Que pareça fútil para os desavisados ou desconhecedores da saga, mas para mim são importantes e sempre serão. Jamais esquecidos outra vez. Talvez ainda enfrentem altas temperaturas, mas se a causa for justa, eles entenderão.

Sempre da mesma cor. Cacheados. Lisos. Curtos. Longos. Agora Longos-curtos, ainda meus. Sempre meus. Meus cabelos.

                                                                                                                             03/02/2012

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