Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Fita, nó e laço: Nem sempre dá pra separar.

  É perfeito o imperfeito que não precisa da perfeição para ser belo. É saciável a sede - que só se mata com abundante água - do beduíno em frente à miragem que se esvai, mas que por alguns segundos permaneceu e saciou toda vontade fisiológica e psicológica do viajante que nunca se perderá por entre as dunas.
  A miragem é tudo que ele sonhou durante noites, é tudo que ele desejou por dias de sol escaldante, é tudo que ele poderia querer. Não é só água, em significado nunca seria nunca será. É desejo, é sonho, é um sinal, como se a areia não fosse mais tudo que ele tem, a tal luz no fim do túnel, segundos de sonho concreto. E, se a realidade vem, ele viveu aquele momento como único que jamais será roubado, jamais esquecido, os segundos mais doces de sua caminhada.

  Eterno enquanto dure, durante toda vida do imortal que falece quando o infinito acaba. Ele, porém, continua vivo, não mais imortal, apenas vivo. Um vivo que vaga, que sobrevive, que bebe que come dos pães menos doces por eternos dias que um dia terão fim, este que parece longínquo apenas a seus olhos, morada de tortuosos olhares emersos em águas cristalinas que lhe molharão a boca, as mãos, os pés até ele aprender a andar sobre essas águas, até ele fazer delas seu chão e não mais escorregar, até o sol leva-la toda consigo restando apenas os sais que marcarão a pele e deixarão as lembranças, as mais doces.

  Cresce a vontade quanto mais se lembra, mas é necessária a embriaguez. Se permanecer bêbado é lá perigoso, a ressaca pode ser triste, pois ela leva aquilo de mais torto que mais sentido fazia para um cego, ou não, que anda trocando os pés, numa avenida qualquer, sob os olhares do décimo, nono, oitavo, sétimo andares.
  A ressaca apaga, a ressaca dói, a ressaca cura a necessidade absurda que se tinha daquela fonte. A sobriedade é pior porque quando ela chega mesmo um contato direto com a fonte não causa mais dependência. Aos olhos dos sóbrios por excelência, ela é magnânima, mas para um embriagado é a sentença do fim e o fim nem sempre é a melhor escolha, a mais desejada escolha.
  Depois de uma longa recuperação, ela (a sobriedade) parece a melhor opção, a única sã e com ela, um novo infinito se molda um novo “eterno enquanto dure” porque se nada é para sempre, a gente faz do sempre algo que tem fim e a frase fica nada é para ter fim para que o nada dê lugar ao tudo e este sim passe a ser para sempre.


  Às vezes, olhar do ângulo errado faz do certo torto.

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