Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Ponteiros: Mais uma sobre o tempo.

Do tempo eu vim, tu vieste e pro futuro nós fomos.
Do futuro que ficou no imperfeito, sobraram palavras incompletas e algo por conjugar num outro futuro que ainda não passou.
Agora presente, indissociável passado e entrelaçado futuro, estamos aqui.
Estou e tu estás de fronte a caminhos novos sem marcas no chão. De costas para as folhas caídas do outono que se foi.
E se o vento da recente primavera traz novas folhas até ti, tu deves cuidar delas com zelo, se de fato não machucarem tuas mãos.
Nunca soube quais as flores mais bonitas da primavera. Deveria ter subido em mais árvores e explorado mais campos. Mas num futuro que era pretérito, ao mesmo tempo, ficou o desejo não concretizado e no presente não há a lembrança.
Por não entender como as flores podiam crescer depois de meses de frio, não senti seus perfumes.
Não pude, não poderia, em hora passada, acreditar que sentindo eu entenderia. Deveria acontecer o contrário: Entender e depois apreciar e como a ordem não foi respeitada, por detrás do vidro da janela eu permaneci, sem ir lá fora, sem deixar a chuva limpar minhas lentes, sem enxergar plenamente.
Sei que do lado da copa da árvore diariamente eu passava e o passado se tornava presente, o que seria  futuro no dia seguinte. Passava à baixo do sol escaldando minha pele, meus olhos desprotegidos de seus raios.
A chuva, por vezes, parecia indicar algo, como um sinal de trânsito oferecendo passagem, como um oráculo oferecendo uma chance  para planos diante do que ocorreria.

Talvez faltou sabedoria.
Talvez sobraram entrelinhas.
Não sei e ao menos soube.

Um dia não precisarei entender.
Apenas apreciarei.

A armadura desmanchará e não estarei mais tão vulnerável.

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