Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Entre degraus.


Não há luz, passos ou olhares;
Onde não há sustos, barulhos, câmeras, vigias...
apenas a noite entrando pelo basculante translúcido,
apenas os degraus fazendo espiral no concreto, descendo até a G2.

Lugar para dois.

Ar impuro de satisfação, de embriaguez, de tranquilidade;
silêncio rompido por estalos sem propósito, por consequência de algo maior.
Lugar de fuga: permitida e procurada;
do errado que por si só é certo;
sem permissões, permitido sem decreto.
Não há quem faça as regras, sem regras a serem ditas.
Sem infrações, bom senso, preocupações, tempo.
Bom tempo pra pensar no que se quer, no que se deve, no que se faz;
no que resta, no que falta, no que foi.
No que será e no passado ficará;
No que não foi, não se precisa pensar.
Sem penumbra, sem meios ou metades;
apenas a sombra, duas se moldando em uma só.
De pé ou de chão, sem apoio, sem canseira.
Sentados ou não.
Dois seres, dois corpos e um pouco mais além
sem romper o mais.
Nada demais,  de mais tempo, mais de dois.
Apenas um.
De pé, de mão, sentados.
Olhos sem ver; desnecessária luz ausente.
Rompendo, caindo, descendo até...
até não passar, não ultrapassar o chão.
Descendo em espiral até o saguão.
e lá encontrar-se-ão.
No térreo, no piso onde planejavam subir
se acomodar e a sós ficar no

 Décimo Quinto andar.

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