Rosa dos ventos quebrada

Como quem não sabe seguir o próprio risco, quem muda de direção depois de desenhar uma placa, como quem pinta um sol de azul (querendo transformá-lo em nuvem depois de definir o traçado), fazia de seu poente, o leste.
 No momento cegava-se e deixava-se levar por uma direção falsa e depois, apenas depois se dava conta do que havia feito (do que não havia deixado acontecer).
Sua falta de motivos, seus tortos parâmetros faziam-na se perder por entre o certo e o errado, as definições retas demais a aprisionavam numa redoma desconfortável da qual ela não sabia como sair (quando pensava em sair). Havia não que soava como sim, havia sim que deveria ser não e deixava de haver o que deveria ter sido, vivido para só depois concluir a falta de importância que teria (ou mesmo viver incondicionalmente o bem que nem a mente seria capaz de supor).
Mas sempre desviando das placas, só assim sentia-se segura, só assim se esquivava do que desenhava.
Sempre se convencendo que essa seria a melhor escolha, criando parâmetros, se desligando dos fatos, esquecendo o mundo, (dês)priorizando que poderia ser feliz.
 Complicando o direto, fazendo curva das retas e retificando ciclos, (ir)radian(d)o a dúvida, andava sem saber por onde havia deixado o caminho de migalhas de pão, ou mesmo porque havia escolhido pão num caminho de tantos pombos, sentava-se à sombra de uma laranjeira e começava a ler o que havia de mais irreal e incerto que já havia sido escrito, se convencendo de metáforas, enlouquecendo seus interlocutores desconhecidos de suas leituras mirabolantes.
Por horas, os dias se repetiam.

15/09 (Anterior)

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