Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Ma-mais 5 min...

Tranquila noite que se molda por entre lápis e pincéis.
Foram semanas de sorrisos escondidos e alguns escandalizados, mas sem muito a se comemorar, de fato. Não é lá pessimismo, mas uma realidade prática demais, na qual a beleza teima em se esconder, em não ficar visível aos olhos dos que a deseja todos os dias. Não são péssimos dias, mas também não são os mais radiantes.
Fica o desejo escondido de noites cegas e beijos mudos, de aconchego, cafuné e preguiça.

- Meu bem, o vento está  forte demais, fecha um pouco a janela?
- Quer mesmo que eu levante? Tão aconchegante aqui... Fecha ali?
Ambos permaneceram ali, parados, deitados sem um movimento que insinuasse um passo. A cama já possuia seus contornos e tão confortáveis como estavam, era impensável levantar. Eram 2h da manhã quando o vento começara a soprar forte e a persiana balançava intensamente, mas não o suficiente para encorajá-los a levantarem-se. Persiana esquecida abaixada já que o vento tinha cessado aquela semana e não poderiam imaginar que sopraria tão intensamente madrugada adentro.
- Amor, estou caída de sono, mal posso abrir os o-o-olhos. 
Entre bocejos, tenta convencê-lo quando é surpreendida por seus braços a entrelaçando, como quem diz decido que não sairá dali tão cedo.
- Golpe baixo.
Ela não sairia dali.
Ela de costas. O vento continuava soprando intensamente. Ele podia sentir o aroma dos cabelos dela, da sua pele enquanto se afundava ainda mais no colchão.
- Amor...
Vencida, ela tenta se levantar quando é impedida pelos braços dele, sobre os seus, não a deixando se mover.
 - Só mais um pouquinho...Você nem quer levantar.
...
2h 30min.
Ela ainda incomodada com o vento demasiado, conclui que ele já dormiu e mais uma vez tenta levantar-se
- Só mais um pouquinho...
Ouve ele balbuciar, antes mesmo de conseguir sentar na cama.
-Eu vou, volto num segundo.
-Mais um pouqui...
Ela vira-se. Ele ainda com o braço sobre o dela, sem tanta força mais. Ela continua a olhá-lo dormir, adormecer do seu lado... Como poderia levantar-se? Deixá-lo ali, se mesmo dormindo a desejava do seu lado, mesmo sem vê-la...
2h35'10''... 
15''... 
20''...
25'' enquanto ela olhava-o ali, afundado, confortável... 
Ela decide se remoldando entre os braços dele:
- Só mais um pouqui-quinho.

10h.


17.11.2012 ~ 1h31min AM

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