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Mostrando postagens de Junho, 2013

Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

eufórico baile à chuva

Um texto começa de onde a vida vem: inspiração
... seja do tipo Peter Pan e sua "Terra do Nunca", seja do tipo de um pedido bem real, daqueles que seguidos  por um simples sim expulsam lágrimas dos olhos que não suportam mais tanta emoção e portanto dividem-na com o rosto, daqueles (pedidos) que o outro rosto igualmente ansioso junta-se ao primeiro banhando-se com suas lágrimas, deleitando-se com o desejo tão esperado; invejadas, as lágrimas destes olhos também saem para descobrir o porquê da euforia lá fora e juntam-se à cascata, descem pelas maçãs, dividem-se entre as maçãs dos rostos ainda colados, banham as bocas - cada uma, ainda, de um lado - escorrem para os ombros, braços entrelaçados e todo o corpo desejoso do mesmo anseio chora junto à elas, sorri junto aos lábios, as mãos que se sentem distantes da euforia vão às bochechas, chegam perto, banham-se e quando já bêbadas permitem aos olhos novamente enxergarem o que se passa, os ombros descolam-se, os braços desentrel…

Desejo de Roska

Frustra-se com sua inquietação.
Apaixona-se com sua inquietação.
A paixão é frustrante o quanto é saborosa, ele perde-se por entre os dois sem querer deixar uma por desejar o gosto que a outra tem.
Difícil e envolvente, deixa-se ser apaixonada enquanto se mantém aquém, enquanto não se envolve no que desperta, longe, perto pra ele, distante pra ela.
Ele deseja-a, ele decide o desejo dela pela ausência do seu não, ela se mantém afastada com a  ausência do seu próprio sim.
Ela não limita as palavras (de ambos) pois não suportaria "o que não foi dito além", não entende que seu mundo é distante do de quem a quer, e no mundo dele a negação do não é sim, que não se argumenta com "eu não disse sim."
As palavras pra ele não precisam ser ditas, ela joga os dados e enxerga exatamente os números; ela é intensa até na dúvida que desperta, por mais que consigo esteja certa da decisão tomada.
Ele se confunde, não conhece suas armas.
À mesa, do restaurante fino, depois do convite fe…

Oração

Tropeço nas palavras que não encontro, antes eu podia escrever por qualquer coisa e hoje qualquer coisa não consigo escrever. Que seja um estágio, fase ou momento, momentaneamente se faça e logo se vá, que não dure, que não perdure, que fique obsoleto, desmanche e se perca no tempo longe de mim, bem longe; que a (des)inspiração de mim se esqueça e me abandone.  Que flores e cascatas, tortas e relógios, xícaras de café voltem a me embebedar.
Amém.

Cuide daqui

Bata à  porta
Entre por si só e fique se quiser
(Enquanto quiser)
Sente-se, beba, coma e adormeça.
Assista tv, tome banho e permaneça.
Abra as janelas, tem suco na geladeira.
O café está pronto, o almoço e o jantar,
mas arrume a casa se desejar ficar.
Limpe a louça, o banheiro e o tapete,
quando cansar, jogue-se na rede.
Cuide bem daqui e não terás porque ir embora;
terás abrigo, terás à mim.