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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

(In) cômodo

Quarto. Era o quarto cesto que ele enchia com suas ideias abortadas de textos mal terminados e pensamentos jogadas ao vento. Era no quarto parágrafo que ele estava quando arrancou aquela folha que agonizante se prendia a sua mão embebida no suor, implorando por misericórdia, implorando para não ir ao fadado destino das anteriores, implorando por uma chance de ser o que ele desejava, mas não adiantou e ainda com mais raiva pela dificuldade de dela se livrar, amassou-a como nenhuma antes e jogou no canto, o mais longe que pôde atirar.
Nem o ventilador, nem a obra do prédio ao lado, nem o bebê que pedia atenção conseguiam tirar dele o silêncio que havia em sua mente e transcorria por suas mãos. Tanto tinha sido escrito e nada tinha sido dito que ele se sentia vazio e ao mesmo tempo sufocado por não ter conseguido expressar o que tanto o aborrecia.
                                                                                                       24/11/13

Paralelo

Talvez esteja presa ao que me prende por anos e faça dessa prisão meu lar;
quem sabe não sou eu o carcereiro, o sequestrador a pedir resgate...
posso também ser as grades, o chão e o cheiro de urina mijo (do ralo - ouso parafrasear);
o afastado quarto de cativeiro que a polícia não consegue encontrar;
à favor, contra a justiça (a lei dos homens, ouso corrigir),
encontro-me;
escondo-me;
perco-me
nesse lugar há tanto tempo que não sei, ao menos, quando cheguei, como vim parar:
Se por um furto qualquer, um um desacato à autoridade desmerecida;
Se por um sequestro relâmpago enquanto sonâmbula fazia o percurso diário,
como antes disse, não me recordo, apenas acordo todos os dias e vejo os traços na parede, as negociações ao telefone e presumo as lágrimas caindo e rostos sucumbindo do outro lado da linha.
Digo ter direito a uma ligação, mas não, dizem-me que não há linha - como não?- penso eu, se há uns instantes havia falatório lá fora...
"estás louca, havia silêncio e nada mais, deve…