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Mostrando postagens de Julho, 2017

Sobre resgate

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Se um dia a palavra te faltar, o medo invadir, alguém te calar... Se o dia sucumbir à baixo dos teus olhos, bem em baixo do teu nariz: Não os culpe, não se culpe, não faça escultura da culpa. Não se entregue. Não entregue as cartas, os reis, rainhas e valetes ainda irão te servir. 05/03/015

Hoje faço-me só (desejo).

Acorda que o dia começou antes mesmo dos teus olhos abrirem, antes mesmo de se dar conta, tu, que por mais um dia estás vivo. Acorda que hoje sou eu escrivã de carta própria endereçada, explícita, direta. Artista de tela nua, de pinceis despidos de vergonha ou rubor. E tenho a dizer, a pintar, a lembrar que
...
se da pele tua sei o cheiro, hoje verso. Se da tua boca sei o beijo, hoje escrevo: no inverso dos lençóis amassados, no suor do colchão amarrotado, no silêncio do travesseiro meu jogado ao chão, no mudo dos teus olhos, no barulho do meu quarto, tua, minha respiração. Te desenho: na cozinha que se faz ausência, no banheiro que se faz desejo, na sala que se faz disposição, no quarto ao lado que se faz inveja. E te trago, feito cigarro, pra perto do meu peito onde posso escutar todo o barulho do corpo teu, e sentir o teu cheiro. E ser o teu desconforto ao fazer palpitar teu coração: de desejo, de suor,  de cansaço estasiada, ao teu lado, deito. 26/07/17

Não te vá, não me deixa ir, de ti.

Como te colocar em fadado transporte
sem sorte esse, pra nunca mais te ter de volta?
Sem nunca mais te acessar, em memória?
"De volta", como (?) sei, se nunca te tive "de vir"...
Mas te tirar da mente e expulsar toda inspiração que me traz não parece o certo a fazer.
Esquecer é fora de questão.
De quisito.
Não cogitado.
Deixar pra trás,  pra aliviar espaço, pra quem (?) vier, mas...
Se pra trás chover? E em tempestade desafortunada assim tu te afogar? E sofrer? E morrer de mim, em tu, assim que aos poucos morreres em mim, tu...
Só de pensar não durmo.
Só de pensar não sonho.
Só de pens...
Desisto de pensar.
Desisto de te deixar partir.
Seja de barco,
navio
ou canoa.

Sobre foco e ponteiros quebrados

Quantas horas cabem no teu olhar
quando meus olhos encontram os teus?
Os ponteiros feito amnesia esquecem de andar.
O tempo congelado já não passa.
Tudo a nossa volta para.
Feito tela de galeria.
Feito tinta e papel.
Feito fotografia
tirada em momento exato:
Quando meus olhos brincando de espelho
decidem se libertar do trabalho de todo dia
e não querendo fazer mais nada, apenas
refletem os teus.
Por horas...
a fio.

Fazendo de refrão, prosa

"Adeus querida
Que Deus te guarde
Da maldade do mundo, das lágrimas de sal
Adeus meu bem, meu mundo é melhor
Mesmo com a dor de um triste final"
(...)Versos antigos se reiventam e tomam sentidos diversos pra diversos corações além...... do mais às vezes escrever pro outro é mais fácil do que afundar na própria bagunça interior.