Hoje faço-me só (desejo).

Acorda que o dia começou
antes mesmo dos teus olhos abrirem,
antes mesmo de se dar conta, tu, que por mais um dia
estás vivo.
Acorda que hoje sou eu escrivã de carta própria
endereçada, explícita, direta.
Artista de tela nua, de pinceis
despidos de vergonha ou rubor.
E tenho a dizer, a pintar, a lembrar que

...

se da pele tua sei o cheiro, hoje verso.
Se da tua boca sei o beijo, hoje escrevo:
no inverso dos lençóis amassados,
no suor do colchão amarrotado,
no silêncio do travesseiro meu jogado ao chão,
no mudo dos teus olhos,
no barulho do meu quarto, tua, minha respiração.
Te desenho:
na cozinha que se faz ausência,
no banheiro que se faz desejo,
na sala que se faz disposição,
no quarto ao lado que se faz inveja.
E te trago, feito cigarro, pra perto do meu peito
onde posso escutar todo o barulho do corpo teu,
e sentir o teu cheiro.
E ser o teu desconforto
ao fazer palpitar teu coração:
de desejo, de suor, 
de cansaço
estasiada, ao teu lado, deito.
26/07/17 

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