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Mostrando postagens de Novembro, 2017

Danousse

Borboletas no estômago e peixeira na mão
Maria bonita amava Lampião e nunca deixou de ser mulher arretada
Porque amor não te torna boba
Muito menos avoada
Quem inventa tais asneiras
É caba sem vergonha que quer deixar mulher apaixonada cega por ele
Mas há tempos que mulher manda na vida
E se apaixonada ai que mais forte fica
Vira Lisbela
Vira Tieta
Gabriela
Rosinha
Mulher pode ser mãe, pode ser pai, cangaceira, engenheira, fotógrafa, astronauta...
Pode ser o que ela quiser
E ai se for mulher nordestina é que lascou-se
Tanto forró
Tanto cuscuz
Tanto borogodó
Faz qualquer desejoso por mulher
Se perder em seus olhos, suas curvas, perder seu chão
Quando descendente de mulher casada com Lampião
Aparece em tua frente
Passa do teu lado
Deixa seu perfume
Te olha dissimulada
Te faz perder a pose
Lembrar da sapatilha
Compor um blues
E até francês falar
É pai... cuidado
Tem jeito não
E se ainda for Baiana
Danousse
Ela já levou teu coração
E tu tá ai lendo essa poesia
Morrendo de amores
Se perg…

Analistagem

Quem muito teme errar, corre o risco de nunca saber o que é o acerto.

E ai, qual vai ser?

E se eu te disser que teu sonho já aconteceu?
É, já.
Tua casa tá pronta desde o dia que tu soube como ela é. No momento que ela veio à tua mente e de imetiado o sininho tocou, ela apareceu, lá no fim da estrada de tijolos amarelos.
E... não, não há como ser impossível de ser construída porque ela já foi. Passado. Em mais pleno, direto e claro Pretérito Perfeito do Indicativo.
Ai eu te pergunto:
Vai correr para chegar até ela ou vai perder teu tempo em outros caminhos que te levam ao nada?
Vai gastar toda tua única vida, única chance levando nas costas outra pessoa pra casa que ela construiu ou...
vai parar de se esconder, de reclamar do dedo do pé que nasceu torto e vai correr, caminhar não, correr pra chegar na casa que tu construiu e é tua por direito?
E ai, qual vai ser?
Estrada de tilojos amarelos
Ou...
Burro de carga dos sonhos alheios por pura preguiça de ser feliz?

Sendo Lírico, Eu

Quando o mundo vai entender
que ser Eu Lírico pode ser se vestir do outro?
Quando o sujeito não sabe como dizer,
a gente se veste, se despe, se pinta e se enfeita
pra alcançar a alma, pra sair do nosso corpo
e assim enxergar o que o outro sente.
É sobre empatia, amor e palavras.
É sobre desejo e vontade de escrever.
É quando a vida da gente fica pequena e o coração aperta
e o outro transborda tanto que por um momento a gente quer se afogar
e brincar de beber nem que seja uma gota da história outra que nunca vamos viver.
Ser Eu Lírico é ser mais que Eu, por um momento.
É ser livre do verbo, do sujeito, do artigo, oblíquo ou não.
E ainda assim, pedir de empréstimo alguns vocábulos,
e extravasar a alma,
até outra
alcançar.

Desencontro

Sendo moça de poucos amores, ela não sabe onde procurar
em memória sua,
qual o gatilho usar,
pra lidar com história essa de nem mesmo conseguir respirar
quando a ver passar.
Incessantemente busca por uma experiência antes vivida,
uma atitude antes tomada,
mas em vista da frustração decide
fechar os olhos e imaginar
o que agora fará.
Desenha, projeta, articula tudo.
Enquanto andarilhos sem sorte procuram nos olhos dela desejo.
Insistem.
Iludem-se.
E ficam.
Permanecem olhando para ela, conversam.
Enquanto ela deles surda, muda e cega,
ainda projeta, articula e desenha.
De corpo presente.
De mente viajante
De dúvida constante:
Como conquistar aquela que dela,
tirou o fôlego.

Quando se vai embora antes mesmo de chegar

Pra não sentir saudade
E de novo morrer
Nem me permiti.
Antes mesmo de te ter
De te querer
Fingi
Matar a vontade em garrafa sem nome, nem apreço
E assim já sei que não te mereço
Pois por medo e covardia
Nos braços da solidão me deitei
E fiquei
E dormi
E acordei
E em viola minha cantei
A tristeza do dia que nasce sem ti
E se põe
Só pra Lua me dizer
Que foi
Pra não sentir saudade
Que me perdi
De ti
(amar)